Nova Odessa promove 1º Festival Grito Rock

Texto: Talita Bristotti.

A cidade de Nova Odessa, na região de Campinas/SP, participa pela primeira vez do circuito oficial do Grito Rock. O festival será promovido no dia 12 de abril, de forma gratuita, na Praça José Gazzeta, na região central da cidade, a partir das 9h. A organização fica por conta do Folclore, projeto de fotografia de Robson Afonso.

grito rockSerão 12 horas de festival e a programação, que contempla música, arte, dança, teatro e fotografia, ainda está sendo definida pela organização. “Não existe evento que dê qualquer visibilidade aos artistas autorais de Nova Odessa. Desde que me lembro, a cidade é muito carente na área da cultura”, avalia Robson. “O Grito Rock é um evento com grandes dimensões e queremos fazer a cidade entrar neste circuito também, além de fomentar a cultura de Nova Odessa”, disse Robson.

Na parte musical, segundo a organização, estão confirmados grupos como Vitex, Roots Favela, Hurry up, Noarf, Ragar, La Makina, Espiral 8 e Eletro Doméstico e também shows acústicos do Meu Ano Fantasma, Bruno Menega e Caravana Delas.

O Folclore

O Folcore é um projeto pessoal de fotografia de Robson Afonso, que tem como objetivo principal mostrar a cena underground da região de Campinas. O projeto faz parte de uma rede de colaboradores de um selo chamado Gabiru Records, que visam criar uma rede de ajuda coletiva e de fomentação do rock autoral.

Para maiores informações sobre o 1º Grito Rock de Nova Odessa click aqui.

Good Coffee!

Show de reunião das bandas Meia Lua e Soco e Makazumba (Entrevistamos Sylvio Scarpeline, Laercio Bizzarri e Guilherme Negri)

Hoje (Domingo, 15/12) acontece no Quintal do Gordo em Campinas/SP o tão aguardado show de reunião das bandas Meia Lua e Soco e Makazumba, duas bandas importantes e que marcaram o cenário independente local durante a primeira metade dos anos 2000.

O show conta ainda com a participação das bandas Don Rámon (Campinas/SP) e Shame (Paulínia/SP), essa apresentando na integra músicas do disco “Amargas Lembranças”. O Quintal do Gordo ainda irá oferecer um cardápio de culinária vegetariana, sorteio de tatuagens e discotecagem rock com o DJ Crypiton. O show também marca o lançamento do fanzine Canibal Vegetariano em Campinas!

Entrevistamos aqui Sylvio Scarpeline (Vocalista da banda Meia Lua e Soco), Laercio Bizzarri (Baixista da banda Meia Lua e Soco) e Guilherme Negri (Vocalista da banda Makazumba) que nos falaram um pouco sobre o show de reunião, expectativas, planos e muito mais.

promoGuilherme, fale um pouco sobre essa da reunião do Makazumba. Como surgiu a ideia? Como foi voltar a ensaiar as musicas e qual sua expectativa para o show domingo?

Guilherme – A iniciativa partiu do Sylvio, ele bolou uma homenagem ao Makazumba tocando alguns sons com o o Meia Lua e Soco para este show do dia 15. Quando fizemos os primeiros ensaios com o Meia Lua a empolgação tomou conta e não teve jeito, vamos voltar a tocar! Já recrutamos nosso primeiro baterista o Pit e em breve vamos voltar a tocar com a formação completa, inclusive já estamos com 6 músicas sendo compostas (risos).

O Meia Lua Soco também faz um show de reunião neste domingo. Sylvio, fale um pouco dos preparativos do evento e de como surgiu a ideia de reunir as duas bandas? (já que você também participa do Makazumba).

Sylvio – Cara, primeiramente pela vontade de tocar, faz tempo que eu não fazia um show e faz tempo que eu não via a galera colar nos shows underground. Acho que essa vontade que fez eu entrar em contato com Zazá e organizar um evento lá no Quintal do Gordo, que para mim é um dos maiores picos em potencial para bandas e eventos underground. Os preparativos estão se resumindo em muitos ensaios, principalmente por que vamos tocar uma musica inédita no show.

Quintal do Gordo

Quintal do Gordo – Foto: Júlia Magalhães

Guilherme, conte um pouco da história da banda (Makazumba), como surgiu, primeiras formações e também sobre a forte participação da banda na causa animal.

Guilherme – A banda surgiu através de amigos comuns aqui em Campinas e quase sempre se manteve com a mesma formação, apenas variando nosso baterista. O famoso Birinho, conhecido da cena hardcore campineira e que mudou-se para os EUA a alguns anos, então recrutamos o nosso primeiro baterista o Pit. Os demais instrumentos mantiveram-se sempre os mesmos.

Muita gente nos associa a causa animal, fizemos diversas ações na região, de protestos na frente dos rodeios, palestras sobre vegetarianismo, eventos com feijoada vegetariana entre outros, foi a causa mais “panfletaria” da banda e um ponto que sempre batemos muito.

Apesar da causa animal ficar mais evidente nós sempre nos identificamos como uma banda ativista em diferentes causas, dentre as que  escolhemos defender eu acredito que duas foram muito importantes: Ser autoral e o faça você mesmo.

Naquela época, e sinto que isto perdura até hoje no cenário da música da região é um cenário composto por muitas bandas covers. E isto nos incomoda absurdamente, nada contra quem gosta, nós também somos fãs de diversos artistas e bandas mas pra nós isto nunca fez muito sentido.

Estamos no Brasil, em Campinas e nós queremos nos conectar com as pessoas, conhece-las e escutar o que elas tem a dizer.  E o que a gente via era um monte de bandas tentando imitar famosos e se digladiando para ver quem era o melhor imitador. Eu to de boa, já joguei muito imagem e ação quando era criança.

Então iniciamos com um movimento de cantar em português, de falar sobre nossa realidade, falar sobre nossa vida e nos conectar as pessoas ao nosso redor. E foi exatamente isto que aconteceu, junto com outras bandas e pessoas começamos a criar um movimento, iniciamos algo concreto e conjunto.

Sylvio, atualmente você integra a banda Golfo de Vizcaya que está em estúdio gravando seu novo EP. Como está sendo o processo de gravação e quando e como será lançado esse novo material?

Sylvio – Estou ficando muito satisfeito com resultado, não só eu como todos que integram o Golfo e para quem tem banda sabe que isso é raridade, nem todos integrantes de uma banda gostam de entrar em um estúdio e dedicar tempo a isso, é cansativo, existe a cobrança. Mas no Golfo todos entendemos isso. Mesmo que role um atrito ou outro sabemos que tudo vale pelo resultado final.

Pretendemos lançar em janeiro ou fevereiro do ano que vem, assim esperamos (risos).

Laercio, o que vocês tem escutado atualmente de musica independente que poderiam recomendar?

Laercio – A galera do Meia Lua e Soco por si só tem um gosto musical muito parecido, embora em épocas ouvimos sons extremamente diferentes um dos outros, no geral, gostamos das mesmas bandas. Ultimamente, eu pelo menos, de som independente tenho ouvido bastante post-rock e umas brisas instrumentais como Beyond Frequency (a banda do guitarrista do Colligere), Pollux & Castor e Nvblado. Bandas que conseguem colocar, pelo menos na minha opinião, muita inspiração e intensidade na composição das músicas.

Sylvio, você tem vários vídeos publicados na internet sobre culinária vegetariana. Como surgiu essa ideia?

Sylvio – Por essa eu não esperava. Pô cara o primeiro vídeo da serie resume bem o motivo : desemprego e muito tempo de sobra (risos).

Dai foi percebendo que o divertido era reunir os amigos em um fim de semana e fazer uma coisa diferente do habitual. O problema que fazer vídeo é muito difícil, você reunir 3 ou mais pessoas para gravar e participar depende muito da boa vontade dos envolvidos. Por isso que tem muitos projetos  que começam  depois de algum tempo param, parece simples mas não é.

Mas estou longe de ser um bom cozinheiro, quem acompanha sabe (risos). Então para mim é uma aprendizado. O lance de ser vegetariano nem é tanto político, e sim porque simplesmente eu sou vegetariano (risos).

quintal

Quintal do Gordo – Foto: Júlia Magalhães

O Quintal do Gordo é novo espaço que tem aberto suas portas a cultura independente. O que vocês tem para falar sobre o espaço?

Laercio – Que o Quintal do Gordo hoje é um dos picos mais undergrounds da cena independente de Campinas. Lá, bandas totalmente alternativas tem a chance de mostrar seu som pra um público que quer ouvir sons novos ou lendários. Sem contar que é uma reunião gigante de todos os amigos das antigas que tinham e tem bandas que fizeram e fazem a cena de Campinas andar. Pico humilde e 100% responsa.

Sylvio – Underground para vida! Só isso que tenho para falar (risos). Se eu falar mais é igual eu elogiar um grande amigo meu, vou ser sempre suspeito a falar. Tudo tem um fim, assim como o Antimatéria depois o Evolução. Mas acho que o Quintal do Gordo esta só no começo, espero que ao menos uma vez por mês o Lipe e o Zazá façam um evento por la. Esse show mesmo eu frisei que quero que todo dinheiro arrecado vá para pessoal do evento para investir no Quintal ou ate mesmo dar um role depois, afinal fazer um evento underground não é fácil.

Sylvio, como vocês veem o cenário da musica independente hoje em Campinas?

Sylvio – Eu não sei se eu estou por fora ou se o cenário esta por fora (risos). Acho que hoje rola outro tipo de evento com outro tipo de proposta com outro tipo de banda. Talvez por saudosismo eu ainda vejo muito mais valor para qualquer evento que role no Quintal do Gordo. Porque ali é underground mano, hardcore, punk. Lá você não vai porque é uma opção noturna, ou azarar alguém. Lá você vai porque você gosta do underground e gosta de ouvir bandas, ou se não gosta das bandas vai para apoiar o movimento. Mas acredito que a cena que rola hoje nos bares noturnos (Bar do Zé, Woods) são bem mais estruturadas que o role underground. E isso é uma coisa que tem que ser valorizada. E acho que essas bandas que tocam nesses picos tem tudo parar organizarem um evento lá no Quintal. Mas tem que vir para somar!!

Espaço para vocês falarem o que quiser.

Agradecer sempre as pessoas que divulgam o som independente, seja organizadores ou as bandas que fazem isso por satisfação. Espero mesmo que o pessoal compareça e ame esse espaço assim como eu amo também.

Good Coffee!

Conheça a banda Don Ramón (Entrevistamos Artie Oliveira)

“Quatro garotinhos juvenis que comem coxinhas aos montes nesse mundão sem porteira, sô!”. É assim que se apresenta a banda campineira Don Ramón, formada por: Artie Oliveira (Voz), Pedro Lizard (Guitarra), Paulo Carvalho (Baixo) e João Cavera (Bateria).

Com influencias que vão do thrash metal ao punk rock, a banda se apresenta na próxima sexta-feira (22/11) no tão aguardado show de reunião da banda local Os Muzzarelas. (Maiores informações aqui)

Aproveitando essa ocasião especial conversamos com o vocalista Artie Oliveira que nos contou um pouco sobre a banda e seus planos para o futuro. Confira!

promoComo surgiu o Don Ramon? Conte um pouco da história da banda, shows, formações…

Cara… O Don Ramón começou pra valer no final de 2012, mas a banda já existia desde o final de 2011, que começou pelas mãos do Lizard, do Paulo e do Du, que era o segundo guita e que caiu fora um pouco antes da gente entrar em estúdio pra gravar o Fat Boy. Eu entrei lá por Janeiro e até o finalzinho daquele ano, a gente trocou duas vezes de baterista até o menino João Cavera assumir as baquetas!

Nesse tempo de estrada qual foi o show mais marcante?

Pra mim, foram dois: A estréia do Cavera em pleno CC, onde a gente tocou no meio de um Sarau em que geral tava assistindo, só que sem demonstrar muito interesse. Foi só a gente passar o som e eu dizer as seguintes palavras: “Nós somos o Don Ramón e eu só tenho um pedido a fazer: levanta todo mundo e chega mais!” que umas 300 pessoas ficaram em volta e meia dúzia de muleque pogando feito doido! E tocar com o Leptospirose no Autorock desse ano. Ponto!

O que você tem escutado atualmente e quais as principais influencias da banda dentro do cenário independente?

Atualmente? Tá indo de Ramones a Fear Factory, passando pelo Ratos de Porão, atravessando pelo Deftones e termina no Muzzarelas, que já virou paixão desenfreada pelos meninos e que me acompanha desde que eu tinha a idade deles. O cardápio de bandas que a gente escuta é bem variado: Eu escuto pra cacete Magüerbes, Huaska, Adrede, Coice de Mula, Trastrio, Alaska… O Lizard vai mais na onda do Leptospirose, Merda, Mukeka di Rato… O Paulo é mais puxado pra aquele “panque crássico” e num belíssimo dia ele descobriu o Lotus Rock A.D. ao mesmo tempo que apareceu uma pá de banda de Thrash Metal na vida dele, pique o Violator… Já o Cavera, por ser filho de doidão e tal, cresceu não só ouvindo, mas convivendo com todo mundo do Lethal Charge, Línguachula e do próprio Muzzarelas.

(Don Ramón – It’s a Fracture!)

Este ano a banda lançou o CD “Fat Boy Strikes Again!” e recentemente o EP “From The Past Come The Demos”. Quais os próximos planos da banda para o ano que vem?

Depois do Fat Boy e agora, do FTPCTD, que eu chamo carinhosamente de “Come-Beque”, a gente tem uns quatro shows pra fazer nesse final de ano e logo na sequência, é parar pra terminar de compor o disco e finalmente gravar a fita toda, uma vez que a gente já tem seis sons novos na manga e três deles, são as três primeiras faixas do From the Past!

Fora o Don Ramon você tem outros projetos, bandas? Fale um pouco sobre eles.

É meio engraçado isso, porque enquanto que metade da banda é marinheiro de primeira viagem, o Cavera veio do Reptilian Kids e eu hoje posso me considerar meio macaco velho, pois antes do Don Ramón, eu tive passagem por três bandas: Carcaça, Esgoto Social e o Mezcla. E tudo isso de 2007 até o presente momento. Fora o madruga, eu tenho uma banda de bubblegum que eu formei com o Covero, baixista do Carcaça e vocalista dos Defuntos Putridos, chamada Charlatones, mas que pela falta de ensaio, tá paradona.

Como você vê a o cenário independente de Campinas hoje?

Ainda se vê por aqui aquela coisa do “Anarco não se bica com SUB, que detesta a mulecada”, mas pela atual conjuntura de, citando “1991”: As bandas cover estão em todos os lugares, mas pra nossa sorte, têm muita gente se mobilizando pra reverter com categoria essa situação que eu acho, na moral, uma merda. O exemplo maior disso é o selo/coletivo lá da Vila Padre Anchieta, o Monstro, capitaneado pelo garoto Kikão Rezende.

donA próxima apresentação da banda em Campinas será ao lado dos lendários Os Muzzarelas. Qual a expectativa de vocês para esse show?

A expectativa tá gigante, Zazá! É um puta orgulho pra gente poder dividir o palco com eles, afinal né, o Don Ramón praticamente começou ontem. Não é só aquela sensação de “conseguimos”, como também é um sonho de pivete, pelo menos pra mim, porque nessa sexta, 22, faz exatamente cinco anos desde que eu pisei num palco de verdade pela primeira vez (com o Carcaça) e saber que isso vai acontecer de novo neste dia, com quase todo mundo que tava naquele Woods naquela época e ao lado da banda que te ensinou a como realmente ter uma banda, não tem preço que pague!

Espaço para falar o que quiser.

Nós somos o Don Ramón, quatro garotinhos do Hardcore que querem tocar Metal e nesta sexta-feira, teremos nosso Fatso’s Pack disponível à venda e, porra, vamos lá pra celebrar o rock campineiro, que na maioria das vezes bate na trave, mas sempre tá ali, batendo de frente pra que a fita toda continue acontecendo e, pra toda a mulecada nova no role: Enquanto “nova geração”, vocês têm mais do que a obrigação de continuar a porra toda, afinal, os tio véio uma hora vão se aposentar e cabe a vocês não deixar a coisa morrer, certo?!

(Escute Don Ramón aqui!)

Good Coffee!

Festival Autorock 2013 anuncia programação (Entrevistamos Daniel Etê)

Foi divulgada essa semana a programação da sétima edição do Festival Autorock, o maior e mais importante evento destinado a música independente realizado na cidade de Campinas/SP.

O festival que será realizado esse ano entre os dias 08 a 18 de Agosto irá contar com inúmeras apresentações musicais, mostra de filmes e exposições de arte.

festival autorock 2013 cartaz_campinas

Entre as principais atrações musicais que estarão presentes este ano no festival estão as bandas: Mukeka di Rato, Rock Rocket, Polara, Drákula, Lisabi, Leptospirose, Hutt, Cólera e Corazones Muertos.

Confira aqui a programação completa e um breve papo que batemos com Daniel Etê, principal articulador e organizador do evento, que nos contou um pouco sobre a história do festival, curiosidades e muito mais! Confira.

Etê, como surgiu a ideia de criar um festival nesse formato? Conte um pouco da história do Autorock e como foram suas primeiras edições.

A ideia de fazer o Autorock veio em 2003, pois queríamos fazer uma comemoração dos 10 anos do primeiro Juntatribo e também porque a cidade estava bem parada, sem nada para fazer e sem nenhum lugar fixo aonde as bandas que gostávamos pudessem tocar… Ok, tinham algumas festas do Sergio Kapeta, mas eram só umas duas ou três por ano. Essa edição foi muito importante, pois ajudou a reunir o público de rock subterrâneo da cidade que andava bem disperso. No ano seguinte, 2004, copiamos descaradamente o Cardápio Underground de Bragança Paulista e adotamos o formato atual com exposições, mostras de vídeo, etc.

As duas primeiras edições rolaram no saudoso Centro Cultural Evolução. Em 2005 conseguimos um apoio da Secretaria de Cultura que disponibilizou a Estação Cultura para os shows gratuitos. Depois ficamos dois anos sem fazer o festival por algum motivo que não me lembro agora e voltamos em 2008 e 2009, pulamos mais um ano e fizemos outra edição em 2011 também com 10 dias. Quem sabe um dia role uma versão de um mês do festival, quem sabe?

Mas basicamente o Autorock é isso; um lugar para festejar, encontrar os amigos, conhecer gente nova, ouvir novas bandas, matar a saudade das bandas velhas e se divertir para caralho, afinal de contas vivemos disso.

Cartaz "Autorock 2003"

Cartaz “Autorock 2003”

Nessas seis edições, qual foi, na sua opinião, o momento ou o show mais marcante?

Durante uma época alguns oportunistas resolveram cooptar uma boa parte do público que juntamos para servir a seus próprios propósitos mequetrefistas. Eles tinham muito dinheiro para trazer bandas comerciais e alugar grandes sistemas de som, mas como já dizia o Lótus Rock: ”O rock and roll não se compra num Supermercado, muito menos num Shopping Center”. Então o show das Mercenárias em 2005 teve um gostinho especial de vingança já que lotamos a Estação Cultura sem ter nenhuma banda mainstream manjada e fizemos a divulgação com flyers silkados em papel craft pelos nossos comparsas do SHN. O show do Cólera na estação também foi a realização de um sonho adolescente, já que quando eu era um muleque de merda não rolava nada parecido por esses lados.

Esse ano o festival irá contar com a participação de inúmeras bandas de peso, entre elas: Polara, Hutt, Mukeka di Rato, Rock Rocket, Corazones Muertos , Leptospirose entre outras… Saindo um pouco do papel de organizador e olhando como expectador, qual show você está mais ansioso para assistir no festival desse ano?

É muito corre, corre e apesar da ajuda fundamental que está rolando de pessoas como o Renan (Trashcan Records) e da sua também, nunca consigo relaxar a bundinha e curtir o barato numa boa como eu gostaria.

Você tá querendo cagar na minha caveira né Zazá? Seria um relaxo com todas as outras bandas se eu disser qual é a minha preferida. Ok eu tenho uma ou algumas, mas não conto pra ninguém.

 

Por quais locais o Autorock vai passar esse ano?

Esse ano o Autorock ira passar pela DisORder, Casa São Jorge, Kabana, MIS, Biblioteca Municipal, Bar do Zé, Woods, Pista de Skate do Pe. Anchieta, Centro de Convivência, Carriero Estúdio e pela primeira vez na Concha Acústica do Taquaral.

Fale um pouco sobre o “AutoTrash”, a mostra de vídeos e curtas que acontece esse ano no festival.

AutoTrash é uma mostra de cinema/vídeo barra pesada, coisa fina mesmo. Temos material que faz com que o Lars Von Trier pareça com a Glória Perez. Carlos Reichenbach, Petter Baiestorf, Ivan Cardoso, Fernando Rick & Marcelo Appezato, John Waters, Shuji Terayama entre outros. A curadoria foi feita por Gurcius Gewdner, cineasta especialista em cinema doentão, da trashera ao experimental… Nossos filmes explodem feito dinamite!

Maiores informações sobre a mostra aqui.

E sobre as exposições?

Também gostamos de arte né? Mas nada de quadros de cavalos, vinho branco e mindinhos em riste por aqui. Vão rolar 3 exposições, a primeira na Galeria DisORder comigo, Filipe Guimarães (vulgo Valdomiro Mugrelise), Gui França e mais alguns convidados. Tem também uma de caricaturas homenageando Woodstock no Carriero Estúdio, outra do Vicente Magalhães na Biblioteca Municipal e a já clássica troca de desenhos do Carlos Dias na Casa São Jorge rolando paralelamente no dia do show da sua banda, o Polara.

daniel ete

Há alguns anos a cidade foi tomada por um marasmo criativo que deu vida a uma infinidade de bandas cover. Como você vê o cenário independente e autoral da cidade hoje? Você acredita que houve uma renovação?

Aqui sempre foi o paraíso de bandas covers e roqueiros covers, por outro lado sempre tivemos bandas duronas e persistentes em seus trampos autorais que cagam e andam para o que a maioria das pessoas acham. As coisas sempre se renovam de uma forma ou de outra, sempre existe o povo que não se conforma com o que está acontecendo e parte para cima feito um capeta. Um exemplo disso é o Lisabi que contrariando quem insiste em dizer que tocar músicas próprias não leva a lugar nenhum e que o negócio é apostar num repertório de canções consagradas pelo senso comum meia boca, acabou de chegar de uma tour pelos EUA.

Certa vez você disse: “Campinas é a cidade das bandas que batem na trave” (Se referindo a uma infinidade de ótimas bandas que surgiam na cidade, mais que por algum motivo acabavam não vingando ou simplesmente desapareciam do dia pra noite). Atualmente qual banda que você vê como destaque em nossa cena local? Alguma aposta?

Cagando na minha caveira de novo Zazá? Eu disse isso quando estava bem breaco, foi tipo uma piada de mal gosto duvidoso, mas é uma forma de ver a falta de apoio que rola para muitas bandas aqui. Já vi gente gravando ótimos trampos e fazendo shows monstruosos que sempre acabaram sendo ignoradas por uma boa parte do público da cidade. Azar desse público, eles que se fodam, sou feliz por ter visto o Grease fazer um dos shows mais animalescos do planeta no finado Ozz, com direito a vinho tinto com o gargalo quebrado, com sangue pelo palco e distorção para caralho, sou grato por ter visto o Anger que era o nosso Criptic Slaugther nos idos de 1988 assim como o Enforcer que era o nosso metal church, me diverti para caralho vendo as Lunettes e os Violentures no antigo e roqueiro Bar do Zé fedendo a fritura véia, curti uma onda  hippie barãogeraldense com o Astromato, dormi capotado na entrada do Soho com muito orgulho, poguei no show do Ofence com a aba do boné para cima, fiz guerra de tortas de creme de barbear enquanto o Lucrézia Borgia encerrava o Juntatribo II, sai na porrada com uns playboys idiotas que queriam zoar as garotas do No Class (aliás eu apanhei para caralho naquele dia), vomitei ao som do Quasimodo Traça Jaguadarte enquanto o Japoneis Black Flag tocava trompete feito um doente.

Me amarro na cultura rock obscura local, acredito no potencial, já vi isso acontecer, vivi essa porra  toda. A piada das bandas que batem na trave tem a ver com o fato de nenhuma banda local ter feito sucesso comercial, mas isso não importa, quem faz sucesso comercial é gente tipo a Sandy e Junior ou qualquer outra coisa jabazenta dessas. Essa terra foi injusta até com o Carlos Gomes, mas nem por isso ele parou de compor.

Aposto em todas as bandas que tocarão e nas que já tocaram no Autorock, aposto em bandas que ainda não foram escaladas para o festival, aposto em qualquer um que enrola cabos sujos de vômito as 5 da manhã depois de um show para 15 ou 20 cabeças, em gente que faz suas próprias canções e sua própria história, por mais torta que possa parecer.

drakula

Espaço para você falar o que quiser.

Quero agradecer a um monte de gente que nesses 10 anos, desde o primeiro Autorock até hoje, me deram um puta dum auxílio colossal:

Nicolas e suas ideias lazarentas, Walkyria por todo o amor, apoio e pelas broncas, você Zazá por assim como eu acreditar em todo esse povo torto, ao Renan, Cacá Toledo meu primeiro parceiro no festival, ao Paulão Shetara e ao mestre Camilo, Kátia e Marino, Gabriel Rapassi, Ney Carrasco, toda a produção do saudoso Valvulado, Artur Ramone, Luiz Fernando Carioca o rei do baile, Gláucio da São Jorge, Chistian Camilo, ao Ney o Satã, ao Denis do som que esperou 6 meses para receber, Kikão comendatore do Pe. Anchieta e sua gang, Artie “trimilique”, Backstage Produções, Riva Rock, Bazar Clube das Pin Ups, Rodrigo Grease e a mais alguém que eu possa ter esquecido porque eu tenho uma memória de galinha.

Mas agradeço principalmente por todas as mais de 100 bandas que já tocaram no Autorock e a todo o público presente, agradeço também a uns malas que nunca foram ao festival, mas também não fizeram a menor falta, muito pelo contrário.

PROGRAMAÇÃO FESTIVAL AUTOROCK 2013

 QUINTA-FEIRA – 08/08

19h – Abertura da Exposição “Auto” com Filipe Guimarães, Gui França, Daniel Ete e convidados.

Show com a banda: Malvo

Entrada: Gratuita
Local: DisORder – Rua General Osório, 1565 – Cambuí

21h – Show com as bandas: Polara (SP) e Mullet Monster Mafia (Piracicaba) + “Troca de Desenhos com Carlos Dias – Ao Seu Alcance”

Entrada: R$ 12 (até as 22h) – R$ 15 (após as 22h)
Local: Casa São Jorge – Av. Santa Izabel, 655 – Barão Geraldo

Polara

SEXTA-FEIRA – 09/08

19h – Show com a banda: Desenmascarado

Entrada: Gratuita
Local: Centro de Convivência de Campinas – Cambuí

21h – Show com as bandas: Bad Motors (Sorocaba) e Black Needles (SP)

Entrada: R$ 12 homem / R$ 8 mulher
Local: Kabana Bar – Av. Dr. Romeu Tortima, 485 – Barão Geraldo

SÁBADO – 10/08

16h – Show com as bandas: Human Trash (SP) e Wasted Pido (Itália)

Entrada: Gratuita
Local: Carriero Estúdio – Av. Barão de Itapura, 2043 – Guanabara

22h – Show com as bandas: Hutt (SP), No Sense (Santos), Flash Grinder (Joinvile) e Slag (Paulínia)

Entrada: R$ 15
Local: Woods Music Bar – Rua Erasmo Braga, 6 – Bonfim

22h – Show com as bandas: AQUëLES! e Corazones Muertos (Argentina)

Entrada: R$ 12
Local: Bar do Zé – Av. Albino J.B. de Oliveira, 1325 – Barão Geraldo

Corazones Muertos

DOMINGO – 11/08

16h – Show com as bandas:  Leptospirose (Bragança Paulista), Shame (Paulínia) Ohw Shit! (Americana), Ragar, Moby Dick e Don Ramon

Entrada: Gratuita
Local: Praça Integração – Av. João Paulo II – Padre Anchieta

SEGUNDA-FEIRA – 12/08

19h – Mostra “AutoTrash” – Curadoria: Gurcius Gewdner

O M da minha Mão (Carlos Reichenbach, 1979, 9 min)
Fuscão Preto – O Trailer (Fellipe Mattei Usa, 2 min, 2007)
War (Gurcius Gewdner, 6 min)
Cannibal Commando (Fellipe Mattei, Itália, 2 min)
Almoço na Relva (Gurcius Gewdner, 2013, 7 min)
Eu Caí da Ponte: Jorge Timm & Os Ilegais (Petter Baiestorf, 2012, 3 min)
Deus o Matador de Sementinhas (Petter Baiestorf, 1997, 2 min)
Desagradável (Fernando Rick & Marcelo Appezato, 2013, 120 min)

Local: Museu de Imagem e Som de Campinas (MIS) – Rua Regente Feijó, 859 – Centro

TERÇA-FEIRA – 13/08

19h – Mostra “AutoTrash” – Curadoria: Gurcius Gewdner

Émotion (Nobuhiko Obayashi, Japão, 1966, 39 min)
DR (Felipe Guerra/Joel Caetano, 2011, 10 min)
Encarnaccion del Tinhoso (Petter Baiestorf, 2009, 7 min)
Arrombada – O Trailer (Petter Baiestorf, 2007, 5 min)
Four for One Yard ( Inessa Kovalevskaya , Rússia, 1967, 10 min)
O Coelho 2 (Elloi Mattar, 10 min)
Mamilos em Chamas (Gurcius Gewdner, 60 min)
Ninjas (Dennison Ramalho,2011, 25 min)

Local: Museu de Imagem e Som de Campinas (MIS) – Rua Regente Feijó, 859 – Centro

 

QUARTA-FEIRA – 14/08

19h – Mostra “AutoTrash” – Curadoria: Gurcius Gewdner

United Trash (Christoph Schlingensief, Alemanha, 1995, 60 min)
Meat Love (Jan Svankmajer, 1 min)
X is Y (Richard Kern, 2 min)
Koneko Monogatari II – As Novas Aventuras Sexuais de Chatran & Zimmer Rumo as Profundezas do Inferno e da Solidão do Matrimônio (Gurcius Gewdner / Masanori Hata, Japão/Brazil, 1986/2013, 90 min)

+ Amyr Cantusio improvisa “Drákula” de Bela Lugosi

Local: Museu de Imagem e Som de Campinas (MIS) – Rua Regente Feijó, 859 – Centro

QUINTA-FEIRA – 15/08

19h – Mostra “AutoTrash” – Curadoria: Gurcius Gewdner

No Smoking (John Waters, 1 min.)
The Mongreloid (George Kuchar, 9 min)
Private Life of a Cat (Alexander Hammid, Musicado por Os Legais & Willie Kampff, 22 min)
Eu Sou um Pequeno Panda (Gurcius Gewdner, 6 min)
Amor & Tara (Ivan Cardoso, 1971, 4 min)
Cannibal Lovecaust (Felipe Mattei, Itália, 1980, 3 min)
The Spot (Terry Gilliam, 1963, 2 min)
Filme Politico (Petter Baiestorf, 1 min)
Freddy Breck Ballet (Gurcius Gewdner, 11 min)
O Cinema é uma Arte Estranha (KZL, 2012, 6 min)
Heart of the World (Guy Maddin, 6 min)
Hardcore Dandies (Gurcius Gewdner, 2012, 15 min)
Video Pirates (Robert K Eiss, Usa, 1987)
The Son of the Invisible Man ( Carl Gottlieb, Usa, 1987, 5 min)
As Incríveis e Maravilhosas Fitas Proibidas & Secretas de Dick Magoon (1971 / 2013, 57 min)
Dez Anos sem GG Allin (8 min)

Local: Museu de Imagem e Som de Campinas (MIS) – Rua Regente Feijó, 859 – Centro

22h – Projeto Mopemuca

Show com as bandas: Bandidos da Luz Vermelha e Trambique 77

Entrada: R$ 12
Local: Delta Blues Bar – Av. Andrade Neves, 2042 – Jardim Chapadão

22h – Show com as bandas: Lisabi

Entrada: R$ 5
Local: Casa São Jorge – Av. Santa Izabel, 655 – Barão Geraldo

Leptospirose

SEXTA-FEIRA – 16/08

19h – Mostra “AutoTrash” – Curadoria: Gurcius Gewdner

The Cage (Shuji Terayama,Japão, 1964, 11 min)
Zoo (Bert Haanstra, Holanda, 1962, 11 min)
Dia de Ano (Gurcius Gewdner, 2005, 25 min)
Let Your Fans Be Your Distributor! (Lloyd Kaufmann, Usa, 2012, 12 min)
Filmes são seus Amigos (Gurcius Gewdner, 2013, 2 min)
Erivaldo, O Astronauta Místico (Gurcius Gewdner , 2013, 6 min)
Zombio 2: Chimarrão Zombies  (Petter Baiestorf, 2013, 83 min)

Local: Museu de Imagem e Som de Campinas (MIS) – Rua Regente Feijó, 859 – Centro

22h – Show com as bandas: Cólera (SP), Zumbi Radioativo (Americana) e Labataria

Entrada: R$ 17
Local: Woods Music Bar – Rua Erasmo Braga, 6 – Bonfim

SÁBADO – 17/08

15h – Show com as bandas: Aeromoças e Tenistas Russas (São Carlos), Revoltz SP (Americana), Maquina Voadora e Monotone Grey

Bazar Clube das Pinups + Feira de Vinis

Entrada: Gratuita
Local: Museu de Imagem e Som de Campinas (MIS) – Rua Regente Feijó, 859 – Centro

21h – Show com as bandas: Ultravespa (Goiânia) e Footstep Surf Music Band

Entrada: R$ 12 homem / R$ 8 mulher
Local: Kabana Bar – Av. Dr. Romeu Tortima, 485 – Barão Geraldo

Mukeka di Rato

DOMINGO – 18/08

14h – Show de enceramento com as bandas: Mukeka di Rato (Espírito Santo), Rock Rocket (SP), Gasolines (SP), MagueRbes (Americana), Motor City Madness (Rio Grande do Sul), Adrede (Indaiatuba) e Drákula

Discotecagem: DJ Krypton

Entrada: Gratuita
Local: Concha Acústica – Lagoa do Taquaral – Av. Dr. Heitor Penteado, Portão 2 – Taquaral

Maiores informações na pagina oficial do festival no Facebook: www.facebook.com/festivalautorock

programação autorock 2013

programaçao autorock 2013 (2)

(click nas imagens acima para visualizar a programação completa)

 

Good Coffee!

Topysturvy em Campinas! (Entrevistamos Alexandre Lima)

No próximo sábado (27 de Abril) a excelente banda Topysturvy de Mogi das Cruzes/SP volta a se apresentar no Bar do Zé em Campinas/SP ao lado da banda carioca Malni que excursiona pelo interior de São Paulo neste final de semana.

Conversamos com o vocalista e guitarrista Alexandre Lima que nos contou um pouco dos planos da banda para esse ano entre outras coisas. Confira!!

malni-bdz-web

O Tupysturvy vem se destacando como uma das maiores revelações do interior paulista nos últimos anos. Conte como surgiu a banda, primeiros shows, formações…

A banda surgiu em 2005 formada por Alexandre Lima (eu) (guitarra e voz), Gustavo Rodrigues (bateria), André Marques (guitarra) e Guilherme Padovani (baixo). Ficamos com essa formação por mais ou menos 1 ano e meio. Após a saída do André e do Guilherme, o Athos assumiu o baixo e decidimos manter essa formação em trio que dura até hoje.

Essa é a segunda apresentação da banda no Bar do Zé (em Campinas/SP) certo? Qual a expectativa de vocês para o show de sábado (27/04)? 

Nós adoramos o Bar do Zé. Eu já havia tocado por lá com uma antiga banda minha, e essa vai ser a segunda vez com o Topsyturvy. Temos um puta carinho pelo lugar, o pessoal é incrível e os shows costumam sempre ser muito legais!

Essa apresentação é a penúltima data de uma extensa tour que vocês realizaram durante todo mês de Abril. Conte um pouco como foi (e está sendo) essa tour.

A gente tem rodado bastante. Desde o início do ano estamos com uma média de 2 shows por semana, o que na nossa atual situação é um número bastante significativo. Achamos fundamental para qualquer banda independente realizar o maior número de shows possível. Isso ajuda tanto na manutenção da performance ao vivo como na divulgação da banda. Fora o fato de que gostamos demais de tocar e isso pra gente não é nenhum sacrifício. Muito pelo contrário. É o que mais gostamos de fazer na vida, e quanto mais, melhor. 

promo

Quais os planos da banda ainda esse ano? Novas gravações, novos vídeos, tours? Já há algo planejado?

Vamos entrar em estúdio em maio pra gravação da segunda parte do nosso disco, chamado “Noises”. Já temos 5 músicas na net, e vamos completar com mais 5 para aí sim, prensarmos um material mais profissional.
Iremos gravar no estúdio do Chicão, que é baterista do La Carne, uma banda sensacional que somos fãs incondicionais. O estúdio é uma beleza só, e estamos bem ansiosos pra iniciar as gravações, apesar de ser um processo que eu particularmente detesto. Digo isso por mim, porque para o Gu e o Athos, creio que o processo não seja tão doloroso.
Depois que terminarmos as gravações, o plano é sair tocando pra tudo que é lado.

Recentemente vocês lançaram o excelente videoclipe “Thrash” que contou com sua direção e edição. Fale um pouco como surgiu a ideia para o vídeo? Quem mais participou da produção? E o gato Eurico?

A ideia surgiu em uma roda de cerveja entre nós três. Era pra ser um clipe com diferentes partes de corpos se misturando, mas quando começamos a gravar, a própria dinâmica da coisa foi nos levando para outro lado. 
No final, acabou ficando diferente do que imaginamos no início, mas o resultado foi muito satisfatório pra todos. Foi minha primeira experiência dirigindo, e espero que não seja a última. É uma linguagem que eu amo pra cacete e quero muito me aprofundar, sem nunca deixar o lado musical, que é a grande prioridade na minha vida. A produção foi realizada em parceria com a “APPA/Núcleo Cinergia – Interações Estéticas” e o “Laboratório do Coelho Grená”, que é uma micro produtora de vídeos. É o braço audio-visual do coletivo Poranduba, o qual nós três fazemos parte com mais 9 pessoas.

O Eurico é o meu gato, e mandou dizer que está muito atarefado para responder entrevistas no momento, mas adiantou que se for rolar outro clipe, quer condições mais dignas de um gato da sua estirpe, tal como camarim, ração de primeira, cama especial e mais bajulação.

 

Quais os planos da banda ainda esse ano? Novas gravações, novos vídeos, tours? Já há algo planejado?

Vamos entrar em estúdio em maio pra gravação da segunda parte do nosso disco, chamado “Noises”. Já temos 5 músicas na net, e vamos completar com mais 5 para aí sim, prensarmos um material mais profissional.
Iremos gravar no estúdio do Chicão, que é baterista do La Carne, uma banda sensacional que somos fãs incondicionais. O estúdio é uma beleza só, e estamos bem ansiosos pra iniciar as gravações, apesar de ser um processo que eu particularmente detesto. Digo isso por mim, porque para o Gu e o Athos, creio que o processo não seja tão doloroso.
Depois que terminarmos as gravações, o plano é sair tocando pra tudo que é lado.

Quais são as maiores influências da banda? O que vocês têm escutado?

Gostamos de bastante coisa. Não sei se consigo pensar de imediato em alguma banda que tenha sido referência direta na construção da identidade da banda. Obviamente os deuses do rock sempre serão referência, mas gostamos também de tomar referência por estilos, como jazz e suas vertentes, blues e música brasileira.

E em relação a música independente nacional? Quais bandas ou artistas novos você tem acompanhado e que poderia recomendar?

Pergunta complicada e perigosa, porque tem tanta gente boa que alguém pode ficar de fora por conta da minha falta de memória. Se eu esquecer de alguém, me perdoem, mas estou escrevendo exatamente às 16:20 da tarde.
Dando ênfase para as bandas de Mogi e região que estão na ativa: Hierofante Púrpura, Vício Primavera, Conte-me uma Mentira, La Carne, Sin Ayuda, Bangs, Infraaudio,Evora, Luzco, Polite.

Na sequência, várias bandas novas, mas que são de músicos velhacos na cena e extremamente competentes como: The September Guests, Formidável Morgana, Back in Bones, Robotnick, Psychotropics, Wrong.
Fora da região: Macaco Bong, Petit Mort (Argentina), Drama Beat, Espasmos do Braço Mecânico, Krias de Kafka, Núvens Invisíveis, Dr Mars, Nine Seconds Agression, curved, Hell’s Kitchen Project.

Sem dúvida nenhuma estou esquecendo de vários nomes. Não me levem a mal, por favor.

topsy

Falando em Mogi, como anda a cena independente por lá? Muitos shows e bandas novas rolando?

A cena de Mogi sempre foi muito intensa, com muitas bandas surgindo a todo momento. Esse ano sofremos duas baixas que ainda nem sabemos o quão significativas serão – para o lado negativo.
O Divina Comédia, que era um bar voltado para a música independente e uma grande referência para a cena local fechou as portas, e o Campus VI, outra grande referência, foi obrigado a interromper apresentações de música ao vivo em função de burocracias desnecessárias.
Em contrapartida, estamos correndo com novos espaços e os resultados tem sido sensacionais.
Falando em nome do coletivo Poranduba, digo que é um momento muito especial, pois estamos com um secretário de cultura totalmente aberto ao diálogo e disposto a ajudar no crescimento da cena, algo que nunca tivemos por aqui.

A cena de Mogi é bem insistente e está longe de ter um fim.

Espaço para você falar o que quiser.

“Information is not knowledge.
Knowledge is not wisdom.
Wisdom is not truth.
Truth is not beauty.
Beauty is not love.
Love is not music.
Music is The Best.”
― Frank Zappa

Para conferir a agenda e o trabalho da banda click aqui!

Good Coffee!

Retrospectiva Valvulado 2010

Good Coffee