Quinta-feira (09) é dia de música autoral e oficina musical no Echos Studio Bar

Nessa quinta-feira, 09/04, o Echo Studio Bar em Barão Geraldo em parceira com o MIC – Movimento Independente de Campinas – apresenta o show das bandas locais Ceano e a Linguagem Híbrida, afim de promover e fomentar o cenário autoral da região.

Para maiores informações sobre o evento click aqui.

Ainda nesta quinta-feira tem inicio a “Oficina de Produção Musical” do Echos Produções.
Poucas vagas ainda disponíveis. Para maiores informações ligue: (19) 3201-8900 ou através do e-mail: victor@echos.mus.br.

oficina echosGood Coffee!

“Oficina Cultural Hilda Hilst fechará as portas em abril”

Matéria publicada originalmente no site da RAC no dia 21/03/2015 por Delma Medeiros

A Oficina Cultural Hilda Hilst (OCHH), unidade da Secretaria de Estado da Cultura gerenciada pela organização social (OS) Poiesis – Instituto de Apoio à Cultura, à Língua e à Literatura, vai fechar as portas. A entidade, que funciona na Rua Ferreira Penteado, no Centro, será desativada no final de abril e três dos quatro funcionários serão dispensados. Apenas o coordenador, Fábio Luchiari, será mantido e atuará como assessor da Oficina Cultural Carlos Gomes, de Limeira, que se encarregará de gerenciar as atividades da região de Campinas. Oficialmente, a OCHH completa dez anos em 12 de abril, mas efetivamente está em atividade desde 2000, oferecendo oficinas, cursos, palestras e workshops nas áreas de artes cênicas, visuais, comunicação, moda, design, cultura digital, gestão cultural, literatura, marketing, patrimônio cultural e música. De acordo com a Secretaria de Estado da Cultura, o serviço está sendo “reestruturado” e todas as atividades serão mantidas.

OC-Hilda-Hilst_Divulgacao1No total, seis unidades de Oficinas Culturais serão fechadas no Estado pela Poiesis — Campinas, Araçatuba, Araraquara, São João da Boa Vista, Bauru e São Paulo — e absorvidas por outras instituições. “A difusão de atividades para outros municípios das regiões antes atendidas pelas sedes citadas será mantida, no mesmo modelo de parceria com as prefeituras”, afirma a nota oficial da Secretaria. “A OCHH será desativada, mas as programações culturais de Campinas e região serão mantidas por meio de parcerias, gerenciadas pela unidade de Limeira, que contará com a assessoria do atual coordenador da unidade de Campinas”, informou a Poiesis.

“A reestruturação foi definida pela Poiesis, organização social responsável pela gestão do programa Oficinas Culturais, em função da readequação do orçamento estadual, seguindo diretriz de qualificação dos gastos e otimização dos recursos”, informam a Secretaria e a OS. Segundo a nota da Secretaria, “a medida implicará em economia dos valores de aluguel, manutenção e serviços dos prédios desativados, que serão revertidos para a programação cultural”. A Poiesis afirma que todos os projetos artísticos selecionados “seguirão como parte da programação, que tem horizonte trimestral”. Para o 2º trimestre do ano, a OCHH prevê a realização de 17 oficinas, sendo 13 em Campinas e quatro em cidades abrangidas pela unidade.

Apesar da afirmativa de que as atividades não serão prejudicadas, instrutores e participantes das oficinas veem a medida com apreensão. “É uma pena, as oficinas em Campinas sempre têm grande demanda. Estranho Campinas ser absorvida por Limeira, o contrário seria mais razoável. Lamento muito saber disso”, afirma o produtor cultural Reginaldo Menegazzo, que já ministrou várias oficinas de gestão cultural na OCHH, sempre com vagas esgotadas.

“Absurdo, a cidade já tem tão poucos espaços e serviços nesse sentido. É uma perda para quem fornece e para quem quer receber a formação. As oficinas permitem que a população seja protagonista do processo, não faz sentido fechar a unidade e restringir o acesso da população”, diz Estela Tozetti, participante de oficina.

Para o produtor cultural Cabeto Rocker, que iniciou a atividade em Campinas juntamente com o também produtor Marcos Kaloy, a medida é “uma vergonha”. Para ele, como cidade sede da Região Metropolitana (RMC), Campinas tinha de manter a unidade e até ampliar a área de atuação. “O movimento cultural vem perdendo força em Campinas. Sem cultura, Campinas corre o risco de virar uma cidade dormitório. Esta é uma grande perda, uma tristeza.” Em 2014, a Oficina Cultural Hilda Hilst atendeu 1.412 pessoas.

Contrato

O contrato firmado entre a Secretaria de Estado da Cultura e a Poiesis para gerenciamento do programa Oficina Cultural estabelece um repasse de R$ 134 milhões para desenvolvimento das oficinas até 2018. Pelo contrato, para o exercício de 2015, a estimativa de repasse à organização social é de R$ 24 milhões. Já a Poiesis informa que o plano de trabalho ajustado com a Secretaria para 2015 prevê o repasse de R$ 19 milhões, a serem gastos na programação cultural, pessoal e custeio.

Petição

Alguns usuários e apoiadores da Oficina Cultural Hilda Hilst criaram uma petição on line para impedir seu fechamento. Click aqui para assinar a petição em apoio a um dos centros culturais mais importantes dos últimos anos em Campinas/SP.

Good Coffee!

Francisco el Hombre apresenta “La Pachanga!”

A banda Fransisco el Hombre, formada por Sebastián Piracés-Ugarte (voz, violão e percussão) Mateo Piracés-Ugarte (voz e violão) Andrei Martinez Kozyreff (guitarra) Juliana Strassacapa (voz e percussão) e Rafael Gomes (baixo), disponibilizou no último domingo (15/03) o videoclipe da música “La Pachanga!”.

O vídeo com direção e roteiro de Raphael Pamplona, contou ainda com fotografia de Marco Antonio Ferreira e produção de Paulo Vicente e Vivi Neves. Confira!

francisco el hombre

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Sábado acontece a primeira edição do Circuito Mercado Las Cosas

Sábado, 07/03, acontece em Campinas/SP  a primeira edição do Circuito Mercado Las Cosas, idealizado pelas produtoras Millena Carlström e Desiree Franco. O evento irá apresentar novos estilistas, de moda feminina, masculina e infantil ao lado de brechós, antiguidades, discos de vinil, livros da contracultura, drinks e comidas. O mercado, tem por objetivo unir os amantes de artes, moda, música, gastronomia e cultura da cidade de Campinas e região. As edições acontecerão aos sábados, na loja Artistas do Mundo e farão conexão com as loja Dixie e disORder, todas localizadas na Rua General Osório, fazendo assim, o “Circuito Mercado Las Cosas”.

mercadoA escolha do bairro do Cambuí também não se deu de maneira aleatória. Segundo uma das organizadoras Milena Carlström o bairro guarda uma tradição em relação às feiras populares, como é o caso da Feira Hippie que acontece no Centro de Convivência Cultural.

A programação conta ainda com uma seleção musical especialmente escolhida pelas curadoras do evento, além da apresentação da banda Kosmica e dos guitarristas Beso e Guilherme Maglio.

Serviço:
Estreia dia 7 de março, sábado
Horário das 10:00 as 16:00 horas
Endereço: Rua General Osório, 1613,1565 e 1566
Entrada- FreeParte inferior do formulário

Good Coffee

Morre Camilo Chagas, um dos mais importantes agitadores culturais de Campinas/SP

Na última segunda-feira (02/03) faleceu aos 63 anos Camilo de Lellis Chagas, uma das figuras mais importantes do cenário cultural local e grande agitador nas décadas de 80 e 90, vitima de hepatite, doença que combatia ao longo dos últimos anos.

Chagas foi um dos proprietários do Ilustrada – Um Banho de Bar, no principal reduto boêmio da cidade na época chamado “Setor”. Em 1985 foi um dos criadores do Tomá na Banda, a mais antiga banda carnavalesca da cidade, que este ano fez seu trigésimo desfile.

O Ilustrada rendeu ainda dois LPs: o Ilustrada volume 1, de MPB, com músicas autorais; e o volume 2, da fase roqueira.

O corpo de Camilo Chagas foi velado nesta segunda e seu enterro está marcado para esta terça-feira (3), às 10h, no Cemitério Parque das Acácias.

camilo chagasarquivo 0nbceebm-2632184 1_0nbced2m-2632245Good Coffee!

Confira aqui a programação completa do Festival Autorock 2014!

O tradicionalíssimo festival de música independente Autorock, que acontece todos os anos na cidade Campinas/SP, anunciou essa semana a programação completa de sua 8° edição que acontece entre os dias 11 e 21 de Setembro!

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O festival que conta este ano com a apresentação de 49 bandas, uma exposição e uma mostra especial de curtas e filmes com a curadoria do mestre do cinema trash Petter Baiestorf, tem entre suas atrações musicais confirmadas as bandas: Dead Fish, Twinpines, Camarones Orquestra Guitarrística, Evil Idols, Seek Terror, Periferia S.A, Lisabi, Muzzarelas e atração internacional Belgrado (Espanha).

Participam do festival também as principais casas de show da cidade, entre elas: Bar do Zé, Sebastian Bar, Kabana Bar, Woods, Echos, Barril da Mafia, Quintal do Gordo, Rudá, Brazuca, Memphis além dos espaços públicos: MIS (Museu de Imagem e Som de Campinas), Praça Rui Barbosa, Pista de skate do bairro Padre Anchieta e Concha Acústica do Taquaral.

Confira a programação completa e detalhada do Festival Autorock 2014 e programe-se!

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(Click na imagem para ver a programação ampliada)

final_tras_prog(Click na imagem para ver a programação ampliada)

PROGRAMAÇÃO FESTIVAL AUTOROCK 2014

 QUINTA-FEIRA – 11/09

19h – Abertura da Exposição “Autorock”.

Show com a banda Twinpines

Entrada: Gratuita
Local: DisORder – Rua General Osório, 1565 – Cambuí

21h – Show com as bandas: The Violentures (Lançamento do CD “Red, Sex and Fire”), Footstep Surf Band, Modulares

Entrada: R$ 12
Local: Sebastian Bar – Rua Dona Maria Umbelina Couto, 79 – Guanabara

SEXTA-FEIRA – 12/09

21h – Festa SKAndalosa com as bandas: Ba Boom e El Kabong

Entrada: R$ 20
Local: Casa São Jorge – Av. Santa Izabel, 655 – Barão Geraldo

22h – Show com as bandas: Beyond the Grave, Violent Ilussion, Cicatrizes do Ódio e Metalizer

Entrada: R$ 15
Local: Woods Music Bar – Rua Erasmo Braga, 6 – Bonfim

twinpines

SÁBADO – 13/09

16h – Show com as bandas: Camarones Orquestra Guitarristica (RN), Evil Idols (PR), Labataria, Os Pontas e Malvo

Entrada: Gratuita
Local: Praça Rui Barbosa (Atras da Catedral) – Centro

22h – Show com as bandas: Ema Stoned e A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante

Entrada: R$ 12
Local: Bar do Zé – Av. Albino J.B. de Oliveira, 1325 – Barão Geraldo

22h – Show com as bandas: Desenmascarado e Belgrado (Espanha)

Entrada: R$ 15
Local: Echos – Rua Agostinho Pattaro, 54 – Barão Geraldo

DOMINGO – 14/09

16h – Show com as bandas:  Seek Terror, Horace Green e Gagged

Entrada: R$ 10
Local: Quintal do Gordo – Rua Sete de Setembro, 553 – Vila Industrial

camarones

SEGUNDA-FEIRA – 15/09

19h – Mostra “AutoTrash” – Curadoria: Petter Baiestorf

Horário Nobre ou Banquete Para Urubus (Dimitri Kozma, 2012, 20 min.)
Confinópolis (Raphael Genuíno, 2011, 15 min.)
Mal Passado (Júlio Wong, 2013, 20 min.)
O Terno do Zé (Fabiano Soares, 2013, 21 min.)
Matadouro (Carlos Júnior, 2012, 70 min.)

Local: Museu de Imagem e Som de Campinas (MIS) – Rua Regente Feijó, 859 – Centro

TERÇA-FEIRA – 16/09

19h – Mostra “AutoTrash” – Curadoria: Petter Baiestorf

Gemini (Leandro Lopes, 2013, 5 min.)
Ia Dizer Que Voltei (Matheus Frazão, 2013, 30 min.)
Vamos La Camarada, Aperte a Mão do Coleguinha (Angelo Souza, 2013, 30 min.)
É Campeão (Lud Lower, 2014, 5 min.)
Entrei em Pânico 2 (Felipe M. Guerra, 2011, 82 min.)

Local: Museu de Imagem e Som de Campinas (MIS) – Rua Regente Feijó, 859 – Centro

QUARTA-FEIRA – 17/09

19h – Mostra “AutoTrash” – Curadoria: Petter Baiestorf

Trailer de Cleopátra 2 (Filmaralho, 2014, 5 min.)
Pressa de te Amar (Gurcius Gewdner, 2014, 3 min.)
AM-SP Punk Rock (Matheus Souza, 2012, 5 min.)
Sede (Cleiner Micceno, 2013, 15 min.)
Hard Rock Zombies (Krishna Shah, 1985, 98 min.)

Local: Museu de Imagem e Som de Campinas (MIS) – Rua Regente Feijó, 859 – Centro

petter

QUINTA-FEIRA – 18/09

19h – Mostra “AutoTrash” – Curadoria: Petter Baiestorf

Trailer de Zombio 2: Chimarrão Zombies (Petter Baiestorf, 2013, 2 min.)
O Boitatá (Helvécio Parente, 2013, 13 min.)
Freelance Ninjas – Primeira Classe (Mike Klafke, 2013, 30 min.)
O Colírio de Corman (Dick Magoon, 2014, 20 min.)
Pink Narcissus (James Bidgood, 1971, 64 min.)

Local: Museu de Imagem e Som de Campinas (MIS) – Rua Regente Feijó, 859 – Centro

21h – Show com as bandas: Topsyturvy e Cheesehead

Entrada: R$ 15
Local: Barril da Mafia – Rua Dom Pedro I, 390 – Guanabara

22h – Show com as bandas: Instrumentalia e Sr. Macaco

Entrada: R$ 10 (até as 22h) R$ 15 (após as 22h)
Local: Rudá – Av. Santa Izabel,  490 – Barão Geraldo

lisabi

SEXTA-FEIRA – 19/09

19h – Mostra “AutoTrash” – Curadoria: Petter Baiestorf

Six She’s And A He (Richard S. Flink, 1963, 47 min.)
La Nave de los Monstruos (Rogelio A. González, 1960, 81 min.)

Local: Museu de Imagem e Som de Campinas (MIS) – Rua Regente Feijó, 859 – Centro

21h – Show com as bandas: F.U.B.E e Fantástica Maddame
+ Riva Rock nos vinis (Tributo a Jimi Hendrix)

Entrada: R$ 15
Local: Brazuca – Av. Santa Izabel, 800 – Barão Geraldo

22h – Show com as bandas: Kosmica, Hellgrass e Vermoon

Entrada: R$ 10 até as 22h45 após R$ 15
Local: Memphis – Av. Andrade Neves, 2042 – Castelo

SÁBADO – 20/09

15h – Show com as bandas: Bad Taste, Atitude!, RND, Cerkelétrika, Drakula, Porrada Solicitada

Entrada: Gratuita
Local: Praça Integração – Av. João Paulo II – Padre Anchieta

21h – Show com as bandas: Os Vulcanicos (RJ) e Chuck Violence (SC)

Entrada: R$ 12 homem / R$ 8 mulher
Local: Kabana Bar – Av. Dr. Romeu Tortima, 485 – Barão Geraldo

22h – Show com as bandas: Periferia S.A, D.E.R, Filhos Bastardos e VxOxSx

Entrada: R$ 15
Local: Woods Music Bar – Rua Erasmo Braga, 6 – Bonfim

dead_fishDOMINGO – 21/09

15h – Show de enceramento com as bandas: Dead Fish (ES), Muzzarelas, Lisabi, AQUëLES!, Don Ramón, Iodo, Slag, Dona HxCélia

Entrada: Gratuita
Local: Concha Acústica – Lagoa do Taquaral – Av. Dr. Heitor Penteado, Portão 2 – Taquaral

*Confira aqui a entrevista que realizamos em 2013 com Daniel Etê, idealizador do festival.

Good Coffee!

Prefeitura de Campinas abre edital de seleção para projetos culturais do FICC

O edital de seleção para financiamento de projetos culturais do Fundo de Investimentos Culturais de Campinas (Ficc) 2014/2015 foi publicado nesta terça-feira, 24 de junho, no Diário Oficial do Município, pela Secretaria Municipal de Cultura, com aprovação do Conselho Municipal de Cultura.

Os interessados, pessoa física ou jurídica, em inscrever um projeto artístico e/ou cultural devem ser moradores de Campinas há pelo menos dois anos. O valor dos recursos destinados ao Ficc 2014/2015 para financiamento dos projetos será de R$ 1.989.000,00.

Os projetos podem ser das áreas de Artes Cênicas, Dança, Artes Visuais, Fotografia, Vídeo e Multimeios, Artesanato, Manifestações Populares, Biblioteca, Literatura e Publicações em Geral, Música, Museu, Patrimônio Histórico e Cultural. As inscrições devem ser feitas entre 27 de junho a 10 de agosto de 2014.

Os projetos serão avaliados pela Coordenadoria Setorial de Gestão de Fundos, da Secretaria Municipal de Cultura, em oito critérios. O formulário para inscrição dos projetos deverá ser acessado e preenchido exclusivamente pelo site, no endereço http://sficc.campinas.sp.gov.br ou http://www.campinas.sp.gov.br/governo/cultura, clicar sobre o banner “Ficc – Inscrição para Seleção de Projetos Culturais” e acessar o sistema de inscrição.

novotempo+cultura+ficc.1Good Coffee!

Resenha: Bourbon Festival 2014 (Paraty, 23, 24 e 25/05/2014)

Texto: Raphael Sanchez (Rio de Janeiro)

No final de semana do dia 23 de maio, rolou a sexta edição do já consagrado Bourbon Festival, em Paraty, no RJ, que todo ano reúne grandes nomes da música mundial, em especial grupos de jazz. Eu botei a barraca de camping nas costas e fui até lá numa jornada em busca de paz espiritual e buscando novas inspirações para estes ouvidos já cansados de tanto barulho de carro, gritos e buzinas dessa vida maluca na cidade grande.

Paraty é uma cidade que fica a 258 km da capital do Rio de Janeiro, e fica muito próxima à divisa com o estado de São Paulo. É famosa por suas ruas de pedra irregulares, que foram projetadas levando em conta o nível do mar (quando o mar sobe, parte das ruas se alaga) e seu centro histórico, de arquitetura típica do Brasil Colônia, além de ser cercada de Parques e Reservas ecológicas. A cidade tem uma aura quase bucólica, embora na arquitetura das casas e das ruas dá pra se sentir um espírito de marinheiros, marujos e piratas, típico de sua história – Paraty havia sido no passado um importante ponto na logística de transporte do ouro que havia sido descoberto na época, em Minas Gerais; posteriormente seu porto foi usado para o tráfico ilegal de escravos e para escoamento da produção de café do Vale da Paraíba. Hoje as casinhas históricas do centro abrigam albergues, pousadas, restaurantes, bares, museus, lojas de artesanato e cachaçarias.

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Paraty: Vista da baía

Sexta-feira (23/05)

Cheguei em Parati por volta das 15h da sexta. Após montar minha barraca no camping, fui rapidamente para a Praça da Matriz, onde estava montado um dos palcos, para observar como o evento se desdobraria pelas estreitas e irregulares ruelas do centro histórico de Parati.

A cidade ainda estava um pouco vazia no final da tarde de sexta-feira, o que começou a mudar no cair da noite. Por volta das 20h00 a região da Praça da Matriz já estava bastante crowdeada e quem quisesse ver o show de perto já deveria garantir seu lugar próximo ao palco – embora o espaço fosse vasto. Às 21h00 começou oficialmente o Festival com o show do orgulhosamente brasileiro Hermeto Pascoal, transpirando musicalidade ao entrar triunfantemente no palco já na segunda canção. A simpatia de Hermeto é contagiante e assim também é sua música, que é composta por absolutamente qualquer tipo de objeto com o qual se possa fazer barulho – incluindo uma chaleira e três porquinhos de pelúcia (!). Entre das experimentações do show havia uma peça escrita por Pascoal chamada “Entrando pelos canos” na qual uma música era tocada pelos músicos usando canos (tipo de PVC) de diversos tamanhos, numa experiência quase tribal. Entre os destaques do show, uma música que se parecia com uma experiência de sapateado misturada com percussão, batendo nas coxas, literalmente, batucada e embalada pela voz doce da ótima Aline Moreno.

Na sequência veio o Zé Ricardo com seu samba groove que chegou a lembrar Jorge Vercilo, com o perdão da possível ofensa. O show foi bom e contou com a presença de Simoninha, que tocaria no dia seguinte.

A produção do festival parecia um pouco afobada e desatenta, com um narrador que anunciava os artistas e se exaltava tanto que não dava pra ouvir o que estavam dizendo. A câmera que fazia as imagens projetadas no telão por diversas vezes “comia bola” e perdia o foco dos artistas. Mas isso foram só detalhes que não foram suficientes para prejudicar a qualidade do evento. O som estava excelente e dava pra ouvir com clareza todos os instrumentos, sem microfonias ou qualquer pormenores deste tipo.

Sábado (24/05)

No dia seguinte levantei cedo, tomei um café preto e fui novamente em direção ao centro histórico, para descobrir o que o segundo dia de festival reservaria para os presentes.

Como já rezavam as lendas, neste dia a maré estava cheia e eu pude presenciar o clima da cidade com suas ruas tomadas pela água do mar.  Um breve passeio pelo centro (que de breve não tem nada, graças à dificuldade de se caminhar na irregularidade das pedras das ruas) se revelou um sutil desafio, já que o caminho só podia ser feito pelas calçadas que não haviam sido completamente inundadas, e para se atravessar a rua (ou o rio) era preciso contar com uma ponte improvisada pelos locais.

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A aventura de se caminhar por Paraty na maré alta

Já no centro, em alguns pontos haviam mini-palcos onde se apresentavam artistas de vertentes do Jazz Nova Orleans, como Mustache e os Apaches e Big Chico. Pelas ruas do centro histórico, a Orleans Street Jazz Band desfilou sua música como se em uma procissão, e em diversos locais da cidade – como já no primeiro dia – podia se ver certa diversidade de artistas “independentes”, que não faziam parte da programação oficial do evento.

Neste dia o evento principal teve seu início às 16h, desta vez no palco Santa Rita, localizado bem ao lado da baía, em frente à – pasmem – igreja de Santa Rita. Um lugar ainda mais bucólico que as ruas desniveladas e as casas do tempo de colônia do centro histórico. Dali dava para se ver o cais, com dezenas de barcos. O cenário era incrível e estava à altura dos eventos que ali se desenrolariam.

Quem abriu o show neste dia foi o português The Legendary Tiger Man, que faz um rock n roll cru e um pouco hipster. Normalmente solitário no palco, tocando sua guitarra semi-acústica sentado e levando a bateria com os pés, desta vez um baterista o acompanhara, o que deu ainda mais energia às suas músicas com um jeitão de rock mais clássico.

Na sequência, os brasileiros do Deep Funk Session foram os representantes do funk tradicional. Com muito groove e pegada, uma cozinha extremamente precisa, uma dupla de metais que se complementava a cada frase e um teclado furioso, a banda resgatou com excelência o jazz funk mais tradicional. O baixista não tirava o sorriso do rosto e contagiava com a sua simpatia, e dava o tom do que  esse festival representa: músicos tocando com a alma, melodias preciosas e arrepios na espinha a cada compasso. Pra quem é apaixonado por música, é algo valioso, que faz o coração bater mais forte.

Fechando a primeira metade do dia no palco Santa Rita, vieram os também brasileiros do Hammond Grooves que, como o nome denuncia, tem como protagonista o clássico órgão Hammond B3 de Daniel Latorre. Com um grande foco nas músicas autorais, a banda fez seu Jazz Soul cheio de influências dos grandes clássicos do “jazz organ ensemble” e com pitadas de influência de ritmos brasileiros, encerrando a primeira parte do dia de festival com grande estilo.

A segunda parte do dia reservava o que para muitos era a grande banda a se apresentar no festival, e não é pra menos: a Preservation Hall Jazz Band é um dos grandes nomes do estilo tradicional de jazz de Nova Orleans, cidade onde nasceu o Jazz, e como o nome já diz, busca preservar a memória desse estilo tão tradicional. Diversos grandes músicos já passaram pela banda, que já tem mais de 50 anos de estrada.

Qualquer palavra é insuficiente para descrever o som do Preservation Hall. Só ouvindo (e assistindo) pra ter ideia do quão especial é a música desses caras.

Shemekia Copeland trouxe um pouco de blues para o festival, logo após o Preservation Hall. Com uma voz poderosa, a nova-iorquina fez um show bem energético e com uma energia um pouco diferente do que estava rolando até então.

Fechando a noite no palco da Matriz, Wilson Simoninha, filho de Wilson Simonal, com seu Samba Soul cheio de suingue.

Domingo (25/05)

O último dia de festival foi bastante breve para mim pois ainda havia de pegar o ônibus de volta para o Rio – uma viagem de aproximadamente 5 horas. Acabei só assistindo a um dos shows.

Andy Mckee ao vivo é exatamente aquilo que se houve no disco. A sensibilidade parece ainda mais apurada. Mesmo as músicas mais difíceis são tocadas com a mesma vibe que se pode ouvir nas gravações. O som de Andy foi considerado folk pela produção do festival, e acho que talvez seja descrição que mais se aproxima. Na verdade, esse músico faz um som bastante diferente, misturando percussão (feita por ele próprio no tampo do violão) com um estilo de violão quase clássico e técnicas diversas como tapping e harmônicos. Uma música pra relaxar, para sentar e ouvir com a alma. Se tivesse sido o último show do festival, haveria fechado com chave de ouro na minha opinião. Como foi o último show pra mim, foi exatamente o que aconteceu. No final do show, Andy ainda fotografou o público (estranho não ter tirado uma selfie).

publico

O pixel verde no lado direito sou eu

No dia ainda tocaram o violoncelista Jaques Morelembaum com seu Cello Samba Trio, grupo que faz releituras de clássicos do samba e bossa nova em uma pegada meio clássica, creio que devido ao espírito que traz o som do violoncelo; estes fecharam as atividades do palco Santa Rita.

Já no palco da Matriz, rolaram os shows de Patti Austin, uma cantora norte-americana de Jazz e R&B; e fechando o Bourbon Festival, a excelente banda de Swing Jazz e Rockabilly, Big Time Orchestra, que contou com a presença ilustre de Tiago Abravanel (sim, ele é neto do Silvio), que ficou mais conhecido pelo Rio por sua atuação vocal no espetáculo de teatro Vale Tudo – Um musical de Tim Maia.

Good Coffee!